NA HORA DE COMPRAR… CAUTELA!

O home theater – antes, um privilégio dos consumidores mais “abastados” – chegou de vez à classe média. E o motivo é simples: os preços dos produtos sofreram uma queda vertiginosa.

Fernando Ramos

Hoje, existem conjuntos a partir de R$ 2.500 para montar um “dito” cinema em casa. E TVs LCD de última geração por R$ 2 mil sendo vendidas em grandes mercados. Diante disso, e com a proximidade da Copa do Mundo, brotam novas oportunidades de negócios para certos oportunistas. E mesmo algumas pessoas da chamada “turma AAA”, que assinam cheques de mais de R$ 100 mil para terem a última palavra em som, vídeo e automação, andam cedendo a isto.

Hoje, além de sistemas sofisticadíssimos, algumas lojas supostamente “especializadas” também estão comercializando “home theaters” por apenas R$ 4 mil. No caso, os clientes não são tão paparicados. Os aparelhos são entregues com um “mapa” com instruções de instalação e cada um que se vire (ou pague um instalador por conta) para colocá-lo em funcionamento. Hoje, em algumas lojas, o interessado pode simplesmente comprar os produtos que vão compor um home theater, como em qualquer rede varejista, ao invés de optar por fazer um projeto personalizado, que só termina com a instalação dos equipamentos e com qualidade praticamente assegurada.

Mas, afinal: qual é o segredo de um home theater? Não basta plugar um DVD, um conjunto de caixas e um iPod? Para os meros “mortais”, que, muitas vezes, não sabem sequer o que é uma saída HDMI, juntar os equipamentos é tarefa árdua. Como combinar uma marca com outra? E as potências? O que é compatível? Qual receiver comprar para concentrar os sinais de áudio e vídeo? Quantas caixas acústicas são necessárias? Que tamanho de TV é o mais recomendado para esta ou aquela sala? Vale a pena comprar um projetor? São muitas as dúvidas que surgem para quem não é do ramo. É aí que entram as empresas, “salvando a pátria” com suas fórmulas já preparadas… Basta definir a “dose” para cada novo caso e é possível vender qualquer coisa.

Um dado importante, para quem pretende explorar este mercado e fazer parte dele, é que não se consegue fazer um cliente comprar um home theater sem que o mesmo se sente, assista a um filme e ouça todas as possibilidades de um pretendido sistema. Ou seja: ter um bom showroom é fundamental.

Fazer o trabalho bem feito significa ter um showroom – e que me desculpem os mais “oportunistas”, também significa ser profissional. Isto é: não dá para vender os mesmos kits compactos encontrados nos grandes varejistas em lojas “especializadas”. Para cada cliente VIP, deve-se desenvolver um projeto personalizado. Ir pessoalmente à casa do consumidor, analisar o local onde o home theater será instalado e conversar (preferencialmente) com toda a família, antes de oferecer o que se acha mais conveniente. Isto é básico. E a maioria das visitas é feita à noite ou aos sábados, quando os clientes têm mais disponibilidade de tempo. Porém, isto faz parte do ofício e, evidentemente, custa um preço. Preço, este, que poderá ser cobrado sem qualquer tipo de apelação.

Ao constatar que ter um cinema caseiro ficou mais fácil, a classe média passou a bater em portas às quais, antes, só avistava de longe. E está sendo bem recebida por quem realmente é do ramo. Quem ainda não comprou, corra até uma loja especializada. Ainda há tempo para assistir à Copa em alta definição. Porém… cuidado com “o que” e “de quem” você vai comprar. Abrasom!