CABOS DE ÁUDIO E VÍDEO – PARTE II

Bons cabos não são necessariamente exóticos ou caros; o segredo está na engenharia aplicada

Texto: João Yazbek

Foto: Divulgação

Nossa última coluna sobre cabos foi a que mais repercussão teve, por meio de e-mails recebidos pelo autor e por compartilhamentos nas redes sociais. O assunto, que é objeto de intensa controvérsia, foi tratado com a isenção que merece e que poucas vezes vimos na mídia nacional e internacional, gerando as mais diversas reações dos leitores. Agradecemos a todas as mensagens recebidas.

Na coluna anterior, mostramos que, no caso de cabos de áudio que trabalham em baixa frequência, a teoria eletromagnética que rege linhas de transmissão não se aplica e temos tão somente a existência do efeito pelicular e a indutância e capacitância dos cabos como descritores de suas características. Assim, cabos de audiofrequência podem ser facilmente caracterizados e seus efeitos, na integridade do sinal transmitido, definidos de forma simples. E, quando os cabos são devidamente projetados e fabricados, devem ser transparentes ao usuário. Porém, quando implementados de forma incorreta, seus artefatos são facilmente detectáveis em medições objetivas ou em audições críticas.

IMPEDÂNCIA CARACTERÍSTICA DO CABO

No caso de cabos de vídeo em formato analógico e de cabos de transmissão de áudio e vídeo em formato digital, a situação muda completamente. Com a frequência dos sinais se elevando de forma significativa, partindo de 5MHz para sinais de videocomposto em banda base e atingindo frequências cada vez mais elevadas para a transmissão de áudio e vídeo digital, onde, facilmente, temos frequências da ordem de 500 ou 600MHz. Em muito pouco tempo, creio que  teremos cabos com bandas de 1GHz no uso doméstico.

A situação apresentada anteriormente já é completamente diversa dos cabos de audiofrequência abordados na coluna passada. Nas frequências mais elevadas, a teoria eletromagnética se aplica em toda a sua plenitude e se torna condição básica para que os bits transmitidos sejam reconhecidos na ponta receptora sem degradação. Além disso, há toda uma teoria adicionada ao eletromagnetismo para garantir a integridade do sinal que trafega em linhas de transmissão digitais. Portanto, em sinais de vídeo e sinais digitais, temos a constatação de que toda a teoria eletromagnética se aplica e de que a integridade de sinal é fundamental, uma vez que sistemas de transmissão digitais funcionam sem perdas ou problemas visíveis até o momento em que os sistemas de correção de erros entram em colapso e, sem aviso algum, a transmissão digital deixa de funcionar.

É importante notar que a condição básica para a transmissão ocorrer com qualidade é que a impedância de saída do equipamento gerador tem de ser igual à impedância de entrada do receptor; e que o cabo tem de ter essa mesma impedância, chamada de impedância característica do cabo. Se isso não for cumprido, não há as condições básicas para se obter a transmissão dos dados corretamente. Isso porque, se o receptor não absorver totalmente a energia recebida pelo cabo, esta começa a retornar de volta pelo cabo para o transmissor e acaba produzindo uma série de efeitos colaterais, que vão das reflexões e ondas estacionárias, gerando, em sistemas digitais, muita degradação (o que provoca severos erros de transmissão).

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