AFINAL, A LUZ DO SMARTPHONE PODE CAUSAR CEGUEIRA?

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Foto: (Por rangizzz/ Shutterstock.com)

Especialista esclarece essa dúvida que tem deixado muita gente de cabelo em pé

Um recente estudo publicado no tabloide internacional Scientific Reports, tem causado bastante polêmica e preocupação em todo mundo. Ao ler o artigo, muitas pessoas interpretaram que a luz de aparelhos eletrônicos, como os smartphones, por exemplo, poderiam supostamente causar cegueira.

Entretanto, conforme explica o oftalmologista Virgílio Centurion, diretor do IMO, Instituto de Moléstias Oculares, é preciso analisar alguns pontos do estudo com cautela.

“Este estudo não é um motivo para parar de usar suas telas. O uso de telas eletrônicas não causa cegueira. A pesquisa vem da Universidade de Toledo e foi publicada em Scientific Reports. Os pesquisadores analisaram o que acontece quando uma substância química específica, retinol, é exposta à luz azul. O retinol está presente nos olhos. E a luz azul entra no olho, tanto naturalmente, via luz do sol, como pelas telas eletrônicas. Mas as descobertas do estudo não podem ser transformadas em recomendações”, afirma o médico.

Para esclarecer ainda mais, o doutor pontuou alguns tópicos que devem ser analisados na pesquisa.

  1. Os experimentos não imitam o que acontece nos olhos das pessoas;
  2. As células que foram testadas não são derivadas das células da retina;
  3. As células do estudo não foram expostas à luz, da mesma maneira que as células do olho são naturalmente expostas à luz;
  4. A parte das células que foi afetada pelo retinol nos experimentos (a membrana celular) não toca a retina nos olhos das pessoas vivas;
  5. O retinol é tóxico para algumas células, estejam elas expostas ou não à luz azul. As células da retina viva têm proteínas que podem protegê-las desses efeitos possivelmente tóxicos;
  6. Outras células que também foram expostas à luz retiniana e azul pelos pesquisadores não seriam expostas à luz azul no corpo. A luz azul só atinge a pele e os olhos;
  7. Em outras palavras, os pesquisadores pegaram células que não são do olho, as uniram com a retina de uma forma que não acontece no corpo e expuseram às células para brilhar de uma forma que não acontece na natureza.

E, para complementar, a oftalmologista Sandra Alice Falvo, que também integra o corpo clínico do IMO, separou algumas preocupações reais sobre o uso das telas e a segurança dos olhos. “Há evidências de que a luz azul pode interferir nos ritmos circadianos dos seres humanos, tornando mais difícil adormecer. Para algumas pessoas, pode ser uma boa ideia limitar o tempo de tela antes de dormir. Ou filtrar a luz azul das telas antes de dormir”, explica.

A médica ainda diz que passar muito tempo olhando para uma tela pode impedir que as pessoas pisquem com a frequência que deveriam. Por isso, ela indica alguns intervalos. “Isso pode fazer com que os olhos pareçam secos, cansados ou tensos. A solução é fazer pausas por 20 segundos, a cada 20 minutos”, sugere.

Para finalizar, recomenda: “Se você tiver dúvidas ou preocupações sobre sua saúde ocular, converse com seu oftalmologista. Seu médico pode fazer recomendações certas para você e seu estilo de vida”, encerra.

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