Arquitetura, iluminação e tecnologia convivem com memórias afetivas em um apartamento de 300 m² pensado para uma nova fase da vida
Fotos Eduardo Macarios
Mudar de endereço depois de mais de três décadas vivendo no mesmo lugar envolve muito mais do que ocupar outros espaços. Há histórias, objetos e referências que atravessam o tempo e ajudam a construir a identidade de uma casa. Por isso, a arquiteta Caroline Andrusko partiu desse olhar ao desenvolver este apartamento de 300 m², em Curitiba, para um casal que buscava iniciar uma nova etapa sem deixar para trás parte de sua trajetória.
Com filhos adultos e quatro netas que os visitam frequentemente, os moradores encontraram no novo endereço uma forma de aproximar passado e presente. Assim, o projeto preservou elementos existentes e os colocou em diálogo com uma linguagem contemporânea, na qual arquitetura, arte, iluminação e recursos tecnológicos se integram naturalmente.
TECNOLOGIA INTEGRADA
Essa integração aparece com força na sala principal. A TV ocupa o centro de um amplo painel de pedra e madeira e participa da composição sem disputar atenção com o mobiliário e as obras de arte. Já em um segundo ambiente, mais reservado, uma TV de grandes proporções e uma soundbar criam uma relação mais direta com imagem e som, enquanto o sofá amplo reforça a sensação de acolhimento.
A tecnologia também chega à cozinha, onde a marcenaria incorpora outra TV junto aos eletrodomésticos embutidos. Com isso, as telas passam a acompanhar diferentes momentos da rotina e aproximam o entretenimento do cotidiano, sempre em sintonia com o desenho dos interiores.
LUZ, ARTE E MEMÓRIA
Por sua vez, a iluminação ajuda a transformar a percepção dos ambientes ao longo do dia. Perfis lineares, pontos direcionados e efeitos sutis valorizam superfícies e obras de arte. Ao mesmo tempo, madeira, pedras naturais e tecidos em tons neutros formam uma base acolhedora, pontuada por nuances de azul e terracota.
Além da tecnologia e da iluminação, o projeto manteve o cuidado com a história dos moradores. Revestimentos existentes permaneceram no apartamento, enquanto obras que já pertenciam ao casal ganharam uma nova curadoria. Assim, em vez de apagar referências anteriores, a proposta encontrou maneiras de incorporá-las à linguagem atual.
É justamente nesse encontro que o apartamento revela sua personalidade. Soluções contemporâneas entram em cena não para romper com o passado, mas para acompanhar novas formas de assistir, ouvir e viver a casa — e uma história que continua sendo escrita.
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