Assinada pela arquiteta Larissa Lima, a instalação “É o Mar”, que representa o Ceará.

Projeto na Bienal de Arquitetura transforma o litoral cearense em experiência sensorial e novo conceito de morar

Fotos Felipe Petrovsky

Na Bienal de Arquitetura Brasileira 2026, em São Paulo, um projeto chama a atenção por traduzir o morar como experiência sensível. Assinada pela arquiteta Larissa Lima, a instalação É o Mar, que representa o Ceará, propõe uma leitura contemporânea da casa a partir do território, do clima e da cultura local.

Com cerca de 100 m², a chamada Casa de Maria recria uma moradia completa, com ambientes que convidam o visitante a percorrer o espaço como se estivesse em uma residência real. Varanda, salas, cozinha, quarto e área de serviço se organizam em uma narrativa fluida, onde arquitetura e cotidiano se encontram.

ARQUITETURA SENSÍVEL

Mais do que uma instalação expositiva, o projeto aposta na construção de sensações. A presença da luz natural, a circulação do ar e o uso de materiais orgânicos criam uma atmosfera leve, que remete à brisa e ao ritmo desacelerado do litoral. A proposta transforma o espaço em um refúgio, onde o tempo parece seguir outra lógica.

As referências cearenses atravessam cada detalhe. Elementos como redes em fibra natural e estruturas inspiradas nas jangadas reforçam a conexão com o fazer artesanal e com a identidade local. Estampas simbólicas — como sol, peixe e coração — acrescentam uma camada afetiva ao projeto, traduzindo hospitalidade e memória.

CULTURA E COTIDIANO

A Casa de Maria também amplia o olhar sobre o morar ao incorporar redes da economia criativa, muitas delas conduzidas por mulheres. O próprio nome do projeto carrega esse significado, homenageando figuras que representam cuidado, saber e construção do lar.

Soluções adaptadas ao clima, como ventilação cruzada e sombreamento, se unem ao uso de materiais naturais e de baixo impacto para criar ambientes mais frescos e integrados à rotina. A presença de obras de artistas, peças autorais e elementos têxteis completa a experiência, conectando arquitetura, arte e território.

Ao representar o Ceará na Bienal, o projeto revela uma arquitetura que nasce do contexto e se traduz em um modo de habitar mais simples, acolhedor e profundamente conectado ao lugar. Em É o Mar, morar deixa de ser apenas ocupar um espaço e passa a ser sentir.